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Conte como Foi


Las Vegas, sem preconceitos

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Turista que é turista tem que ter uma coisa na cabeça: ao bom viajante não cabe ser preconceituoso. Com algumas boas viagens internacionais e outras tantas pelo país, me imaginava livre de preconceitos. Pode ser que estivesse certo no que se refere aos preconceitos habituais do ser humano. Mas, de repente, me peguei preconceituoso em relação a destinos turísticos. Isso mesmo, preconceituoso em relação a algumas viagens.

Erro fantástico que, pelo menos, corrigi a tempo e me redimi viajando mais duas vezes pra lá por vontade própria e uma outra ainda a trabalho. Me refiro a Las Vegas, um dos destinos mais fabulosos, encantadores e irreverentes do mundo. Delícia pra ser cutida sozinho, a dois, a três, a 20, 30 ou 50. Mas uma obrigatoriedade para quem quer conhecer um lugar único.

Pensava com meus botões, o que vou fazer em Las Vegas se não jogo, não bebo e não fumo (quanta ignorância!). Imaginava Las Vegas como sendo um grande cassino, repleto de máquinas caça-níqueis, roletas, muita gente fumando e bebendo e ponto final. E estava certo, com a exceção do ponto final.

Las Vegas é muito mais do que um grande cassino com máquinas e gente fumando e bebendo. É um mundo maravilhoso de diversões. Uma cidade fabricada no meio do nada, em um deserto de Nevada - a rima ao acaso, soa digna de Las Vegas, um destino que é uma poesia sedutora.

Números superlativos acompanham a cidade. Lá estão os maiores hotéis do mundo, um dos aeroportos mais movimentados do mundo, a montanha russa mais elevada do mundo, o maior \"cinema\" ao ar livre do mundo, a maior variedade de grandes espetáculos e shows do mundo e a cidade que realiza o maior número de casamentos do mundo.

O interessante é que você vai a Las Vegas para andar por apenas uma rua - a Strip. Recomenda-se iniciar a peregrinação por um dos lados da rua e voltar pelo outro. Se quiser entrar em todos os hotéis, precisará de quase uma semana pra isso. Mas o ideal é não ser tão minucioso. Quatro diárias são o suficiente. O gosto de \"quero mais\" faz parte da festa.

Os hotéis são impessoais. Você é apenas um número no hotel. No check in recebe um grande mapa do hotel, com o tradicional \"você está aqui\", como se fosse um parque de diversões - e é quase isso.

Imperdível passear no MGM, o maior de todos com 5.004 amplos (e, não raro, baratos) apartamentos. O preço varia de acordo com o calendário de eventos. Em semanas de grandes lutas de boxe, prepare-se para pagar caro. Sem grandes eventos, pechincha. Pegando um monotrail você vai a uma mini-Disneylândia nos fundos do mega hotel. Hóspedes pagam mais em conta para se deliciar no parque.

Não dá para não passear também no New York, New York e se sentir na esquina da Time Square. E o que dizer do Stratosfer no alto da Strip. O Treasure Island tem um show que você assiste gratuitamente da calçada que é igualmente imperdível. Se há uma coisa que o americano sabe fazer bem - além de brownies - são os teatro-shows, com muitos efeitos especiais. No Caeser Palace, a atração é o Fórum, cujo teto imita o céu. Amanhece e anoitece no prazo de uma hora. E você se delicia com a ilusão em meio a lojas de grifes internacionais.

Mas, neste mister, o campeão é o Bellagio. O mais bonito hotel temático de Las Vegas. O metro quadrado mais caro da cidade e um dos mais caros do mundo. Por 500 metros você percorre a pé uma alameda de lojas encantadoras. Tão encantadoras como seus preços (na boutique da Versace, uma camisa colorida, no melhor estilo bicheiro-carioca não custa menos de US$ 14 mil).

Ainda no Bellagio, não deixe de ver o espetáculo aquático em frente ao hotel, no magnífico lago artificial de emocionar até o mais cético dos turistas.

No Mandalay Bay, o tema é a floresta. Um pouco de Amazônia, com estilo rústico somente aparentemente, pois o luxo das instalações é cativante. No Luxor, a pirâmide escura dá áres de Egito ao deserto americano. E tem muito mais, como o Venezia, onde você poderá andar de gôndola como se estivesse na cidade italiana. E no Paris, a torre Eiffel é cópia fididigna da original. Não imagine ser brega. Você vai gostar, vai se divertir, vai querer voltar.

Calor? Sim, muito. Mas os 40 graus que vai pegar com relativa facilidade (até 45 nos picos) são suavizados pelos esguichos umedificantes que estão por toda parte. O clima seco não faz você sofrer tanto como se pegasse 35 graus em Joinville.

Fora da Strip e principalmente se estiver com criança - ou se tiver o espírito de criança impregnado -, vá até o Circus Circus, cujo centro do hotel é um grande picadeiro. E no Rio\’s, vai se sentir em Copacabana, até com direito à famosa calçada de Niemeyer.

Café da manhã é cobrado a parte, isto faz com que possa conhecer um super buffet diferente por dia. Não se iluda. Fartura não quer dizer boa comida. Mas alguns itens se salvam. Fuja dos frutos do mar, totalmente sem graça, mesmo aqueles camarões enormes ou lagostins.

Almoço e jantar se repetem e no mezanino de sobremesas as tortas mais bonitas do mundo, mas só beleza. São todas sem sabor e com chantilly com cara de comédia pastelão feita pra americano gargalhar - e só ele.

Em Las Vegas, não deixe de visitar o centro antigo, onde uma grande obra fechou o teto da rua principal e em horários determinados, um cinema com milhões de luzes vão fazer com que fique 20 minutos olhando pra cima sem se cansar.

Note também em cada um das dezenas de milhares de luminosos da cidade, que não há uma única lampadinha queimada, apesar de toda a descarga elétrica que costuma castigar a cidade, tipicamente num clima de deserto.

Se dispuser de mais tempo, vale pagar o passeio de helicóptero pelo Grand Canyon e ver a represa onde tudo começou. A grande represa foi feita ali perto para abastecer o estado vizinho da Califórnia. Terminada a super obra, Las Vegas foi adaptada para não viver mais apenas como a cidade de cassinos. Os operários iam embora e era preciso seduzí-los para voltar. Como estariam com as famílias, além dos cassinos era preciso oferecer atrações para as esposas e os filhos. Assim nasceu a encantadora Las Vegas.

Vá, divirta-se e depois concorde comigo. Há sim... lá também tem cassinos, os maiores do mundo. Você também pode jogar a vontade, 24 horas por dia, beber e fumar a vontade. E não tem Lei Seca, pois você estará hospedado no próprio hotel do super cassino. Mas cuidado, se errar o elevador poderá levar algum tempo até se achar de novo.

Por: Osny Martins

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