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Revista Eletrônica / Dicas de Viagem / - Ásia - TERRA SANTA

Dicas de Viagem


- Ásia - TERRA SANTA

 

Jerusalém, Nazaré, Belém, Caná, Jericó, Betânia, Cafarnaum... O nascimento, o batismo, a pregação, os milagres e mistérios... Como são e a quantas andam para os turistas  os lugares que celebram a vida, a palavra, a morte e a ressurreição de Jesus.
Seja qual for à fé que os acalenta, os turistas costumam iniciar sua visita a Jerusalém pelo Monte das Oliveiras. Uma linda escolha. Enquadrada desse ponto, a silhueta da Cidade Velha, com suas muralhas, seus campanários e minaretes banhados pelo sol, é sempre uma visão altamente tocante. Para os cristãos, contudo, o lugar reserva uma voltagem mística ainda mais intensa. Boa parte dos episódios decisivos da vida de Jesus teve por cenário essa elevação não muito íngreme - na verdade, mais uma colina que propriamente um monte. Foi de seu topo que, de acordo com os Evangelhos, ele subiu aos céus, desaparecendo entre as nuvens (Atos dos Apóstolos 1.9). A Igreja da Ascensão, um pequenino templo octogonal bizantino quase escondido entre o comércio e as moradias árabes atuais, assinala o local provável da cena. Cem metros adiante, numa parada igualmente inspiradora, fica a Igreja do Pai-Nosso. Suas paredes abrigam, num show de azulejos coloridos, a principal oração cristã escrita em 240 idiomas diferentes. Ali Jesus a teria ensinado aos discípulos. Pouco mais abaixo, outro marco: a Igreja de Dominus Flevit (a Lágrima do Senhor). Segundo Lucas (19.41), ao ver a cidade dali, pouco antes de sua entrada triunfal no Domingo de Ramos, Jesus teria chorado sobre Jerusalém e dito: "Virão dias em que seus inimigos construirão trincheiras contra você, a rodearão e a cercarão de todos os lados". O lindo templo franciscano e seu sereno jardim hoje suavizam tais presságios. Mesmo assim, a paisagem ao redor é um tanto estarrecedora: um mar de túmulos de pedra; cemitérios, em sua maioria judaicos, cujos ocupantes preferiram aguardar na primeira fila a vinda (ou volta) do Messias que lhes trará a ressurreição.
Quase aos pés do monte, encontra-se o Getsêmane (o Horto das Oliveiras). No lugar ergue-se hoje a Igreja de Todas as Nações, sob cujo altar repousa a Rocha da Agonia de Jesus. "Estando angustiado, ele orou ainda mais intensamente - e seu suor era como gotas de sangue que caíam no chão" (Lucas 22.44). No modesto jardim adjacente, algumas oliveiras com mais de 2 mil anos de idade ainda exibem brotos em meio aos galhos retorcidos. Numa gruta vizinha, a da Traição, Jesus foi delatado por Judas e preso. Teve então início, ali, sua derradeira jornada; aquela em que, pela última vez, cruzaria as muralhas de Jerusalém, rumo ao Calvário e à morte. A mítica via Dolorosa demarca os últimos passos de Jesus neste mundo.
Foram pouco mais de mil metros de um aclive ligeiro até que ele chegasse ao Santo Sepulcro - capítulo final de uma história cujos mistério e dramaticidade, 20 séculos mais tarde, ainda fascinam a humanidade.

 

Belém 2007 d.C

 

A aldeia onde Jesus nasceu é hoje um dos lugares mais disputados da Terra.
Não foi assim que Maria e José entraram em Belém, mas, hoje, não há outro jeito. É preciso esperar diante do muro, uma intimidante barricada de concreto da altura de três andares guarnecida de arame farpado. Soldados armados com fuzis de assalto examinam os papéis. Revistam o veículo. Por ordem militar, nenhum civil israelense pode entrar. E poucos residentes em Belém têm permissão para sair  a razão de ser do muro, segundo Israel, é manter os terroristas fora de Jerusalém. Apenas 9,5 quilômetros separam Belém de Jerusalém, mas, na geografia condensada e intratável da região, é como se estivessem em reinos diferentes. Pode demorar um mês para um cartão-postal ir de uma cidade a outra. Belém fica na Cisjordânia, em terras que Israel tomou em 1967, na Guerra dos Seis Anos. É uma cidade palestina a maioria de seus 35 mil habitantes é muçulmana. Em 1900, mais de 90% eram cristãos. Hoje, essa parcela caiu para cerca de um terço, e vem minguando à medida que os cristãos partem para a Europa ou para as Américas. No mínimo 12 homens-bomba vieram da cidade e do distrito circundante. Belém, a "aldeia" venerada do Natal, é um dos lugares mais disputados do planeta. Dada a autorização para entrar, uma porta de aço deslizante, parecida com as de um trem de carga, abre-se com rangido. Os soldados dão passagem, e o motorista atravessa a brecha temporária no muro. E então, rilhando nos trilhos, a porta se fecha com estrondo. Eis Belém. A cidade fica na escabrosa orla do deserto da Judéia. A vegetação é esparsa, e as casas mais antigas, feitas de pedras de um amarelo desmaiado, ladeiam espremidas as vielas íngremes. Alguns táxis decrépitos circulam, chamando passageiros a buzinadas. Num quiosque, carne de carneiro gira no espeto, pingando gordura. Homens sentados em cadeiras de plástico bebem o forte café árabe em copinhos. Paira um cheiro de lixo não coletado. Subindo o morro, pode-se ver a extensão do muro e avaliar sua contínua expansão: uma serpente verde, segmentada de guaritas cilíndricas, cingindo metodicamente Belém. Muros adentro, há três campos de refugiados palestinos: blocos de apartamentos exíguos e amontoados a esmo. As ruelas do acampamento são decoradas com centenas de cartazes de mártires - moços de olhar fixo e impassível, alguns empunhando fuzis. Muitos são vítimas das Forças de Defesa de Israel. Outros explodiram a si mesmos em algum shopping, restaurante ou ônibus israelense. O texto em árabe nos cartazes louva a grandiosidade desses atos. Do outro lado do muro, dominando a crista de morros ao redor, esparramam-se assentamentos judaicos, espetados por guindastes de construção, em férvido crescimento. No fim de tarde, o Sol fulgura nas paredes das casas dessas povoações, e Belém parece cercada de brasas.

 


Israel


Terra sagrada, esse país revela camadas de história a cada esquina - pena que seja palco de um conflito sem data para acabar. Apesar dos milhares de anos de história do território que ocupa, Israel é um Estado jovem - e, como se sabe extremamente problemático. Foi criado em 1948, com o retorno dos judeus à terra de onde haviam sido expulsos quase 2 mil anos antes. Desde então, o país entrou em conflito constante com os vizinhos (Egito ao sul, Jordânia a leste e Líbano e Síria ao norte) e especialmente com os palestinos, que habitam a região há séculos e exigem que lá seja criado seu próprio Estado. A situação de Jerusalém é emblemática desse nó: considerada sagrada por três religiões (judaísmo, cristianismo e islamismo), a cidade é reivindicada por israelenses e palestinos. Para complicar, Israel a considera sua capital, mas não a comunidade internacional, que concentra todas as representações diplomáticas em Tel-Aviv.
A ajuda financeira dos Estados Unidos e de judeus que vivem no exterior, mais o elevado nível educacional da população (de pouco mais de 6 milhões de habitantes), faz de Israel a economia mais desenvolvida do Oriente Médio. Apesar de toda a instabilidade, o país atrai multidões de turistas, cada um em busca dos significados da viagem para a sua própria crença. Além de respirar história por todos os poros e apesar do território pequeno, de apenas 20,8 mil quilômetros quadrados, Israel tem paisagens de arrepiar: praias na costa mediterrânea, picos nevados, um grande deserto e a maior depressão do mundo, o Mar Morto. Mesmo não estando em seus melhores dias, eis um lugar que deve entrar, pelo menos uma vez na vida, nos planos de todo viajante independentemente da religião.



Língua oficial:
hebraico


Moeda: shekel novo


Visto: não é necessário para permanência de até 90 dias


Embaixada do Brasil em Tel-Aviv: Beit Yachin 2, Kaplan Street, 8º andar.


Hora local: + 5h


Melhor época: de março a maio e de setembro a novembro

 

Fonte: www.viajeaqui.com.br



 

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